Mais 7 Vantagens da Emulação

1 – Evitar Deterioração do Hardware

Com o tempo o console sofre avarias e deterioração dos componentes eletrônicos, como por exemplo o leitor de CD, ou os contatos do cartucho. Também os capacitores geralmente vazam depois de um tempo ou perdem a qualidade, necessitando a troca deles para que a imagem não fique com ruídos ou com problemas no áudio. Tudo isso gera incômodo e custos extras para manter. O colecionador precisa aprender a fazer a manutenção se quiser continuar aproveitando o aparelho. Com a emulação nada disso é necessário. Geralmente temos o problema de um determinado emulador não ser mais suportado por novos sistemas operacionais, mas hoje com projetos como o MAME ou Retroarch isso está deixando de ser um problema.

2 – Evitar Deterioração da Mídia

Além do console, a mídia também pode sofrer danos com o tempo. Nos cartuchos os contatos oxidam e algumas vezes param de funcionar. No caso dos CDs os arranhões podem impedir a leitura dos dados. Tudo isso é muito difícil de evitar ao longo dos anos e as medidas anti-pirataria dificultam fazer backup. Além disso não há fabricação de cartuchos antigos em larga escala ou prensa de CDs de consoles antigos, tornando ainda mais difícil substituir um jogo com defeito por outro novo nos dias atuais.

3 – Preservação de Arcades

Muitos games de arcade famosos nunca receberam um port para os consoles e hoje a única maneira de jogá-los é através da emulação. Algumas coletâneas recentes foram lançadas por empresas como a Capcom, entre outras, mas elas só foram possíveis graças ao código aberto do MAME que permite esse tipo de lançamento hoje. As empresas não desenvolvem o emulador do zero. Elas aproveitam código do MAME.

4 – Desenvolvimento de Novos Retro-Consoles

Os retro-consoles lançados recentemente pelas empresas como Nintendo, Sony e Sega só foram possíveis graças aos emuladores. Reproduzir o hardware antigo e fabricar em massa seria muito mais caro e difícil que simplesmente pegar um processador ARM e incluir o emulador com as roms na memória. Até os cartuchos de memória flash como o everdrive precisam emular os chips especiais internamente como o Super FX, ou no caso do Mega-Drive alguns cartuchos emulam inteiramente o Sega-CD, permitindo jogar no Mega Drive os games do add-on apenas usando as ISOs. Ou seja, até quando você joga as roms no console original você está fazendo uso de emulação em partes.

5 – Distribuição de Games Antigos Oficialmente

Assim como no caso dos retro-consoles, as empresas estão relançando seus games antigos usando emulação. Muitos desses games não poderiam ter esses relançamentos de outra forma que não seja por emulação porque para muitos deles as empresas não possuem mais o código fonte.

6 – Aprimorar Gráficos e Sons

Mencionei no post anterior que é possível jogar no emulador com a qualidade máxima de output de áudio e vídeo digital sem os problemas de usar cabos baratos ou TV ruim. Mas os emuladores também permitem superar os limites impostos pelo hardware original dos consoles antigos (e dos novos também). É possível emular o Nes sem as limitações de renderização de sprites, por exemplo, que acaba com o flickering tão presente em vários jogos mais elaborados. No caso do Snes é possível elevar o clock da CPU para reduzir os slowdowns de certos games. Emulando o PS1 é possível acabar com o warping dos polígonos e suavizar as texturas. É possível melhorar a transparência do Saturn, ou aumentar a resolução interna do DS. Games emulados de Wii podem ser jogados em Full HD, e o verdadeiro Switch Pro é emular usando o Yuzu com output em 4K e aumento dos FPS para os games que suportam isso. Super Mario World recebeu um patch que permite jogar em wide 16:9 com um emulador específico.

7 – Preservação da História

Filmes, músicas, pinturas só puderam ser preservados com a digitalização do material analógico para que possam ser reproduzidos ou consultados. Com os games a emulação e backups das Roms é por enquanto a melhor forma de preservar todo o conteúdo produzido até hoje. Muitas empresas faliram e perderam o código fonte dos games. Muitas outras não possuem nenhum interesse em manter sua própria história preservada. Entusiastas e preservacionistas usam emuladores não só para jogar as roms preservadas, mas para ter uma documentação do funcionamento do hardware também. O MAME é antes de tudo um grande projeto de documentação dos hardwares antigos e por isso o projeto é tão amplo.

7 Vantagens da Emulação

Eu jogo usando emuladores desde o ano 2000. O principal motivo era ter acesso gratuito a games que custavam caro para comprar no console. Mas hoje mesmo tendo os games originais ou opções baratas eu ainda prefiro jogar no emulador por diversos outros motivos. Vou listar 7 motivos de porque a emulação é melhor que jogar no hardware original, e não vou usar em nenhum momento o argumento de ser gratuito.

1 – Output de Vídeo e Audio na qualidade máxima

O principal argumento que vejo de quem defende jogar no hardware original numa TV antiga é que você está experimentando o jogo na sua forma original, como os desenvolvedores planejaram. Eu não concordo com esse argumento porque eu duvido muito que os desenvolvedores prefiram que você jogue numa TV ruim com cabos ruins e audio de baixa qualidade em mono. Muitos jogos de 8 e 16 bits já tinham sons em stereo por exemplo, mesmo com a grande maioria das tvs antigas sendo mono. Muitos entusiastas podem então defender que é possível melhorar a qualidade comprando TVs de tubo de alta qualidade, cabos de alta qualidade, fazer modificações no console para output RGB, etc, mas isso não é o que o consumidor tinha disponível na época, o que tira a validade do argumento. Mesmo hoje investir nisso é muito caro e poucos conseguem comprar.

Com a emulação você tem acesso a tudo isso mesmo num PC mediano. Jogar Snes no Snes9x num monitor de tubo e fones de ouvido medianos supera qualquer experiência de um snes antigo numa TV antiga.

2 – Usar o melhor controller disponível e poder mapear livremente os botões

Muitos consoles antigos tinham controllers horríveis. O do Master System por exemplo é bem ruim e o pause fica no aparelho e não no controller. O do Atari era razoável quando novo, mas estragava fácil. Mesmo controllers aclamados como o do Snes acaba sendo ergonomicamente desconfortável para quem tem mãos grandes ou para jogar games de luta. Muitas vezes encontrar um controller de boa qualidade para esses consoles antigos é difícil, e mesmo se encontrar, você está limitado aos botões na posição padrão, que podem ser anatomicamente ruins.

Ao emular, eu posso utilizar o que considero o melhor controller existente para jogar qualquer console. No meu caso é o controller do Xbox One S. Na emulação do Nes eu gosto de configurar o botão B acima do A (X e A no Xbox ou Y e B no Snes) pois fica mais fácil de pressionar ambos ao mesmo tempo. Os outros botões eu configuro como modos turbo.

3 – Acesso a Romhacks e Traduções

Hoje com os cartuchos de memória flash tipo os Everdrive é possível jogar romhacks e traduções nos consoles originais, mas por muito tempo a única forma de ter acesso a essas modificações era através de emulação. Inclusive, muitas romhacks são desenvolvidas com o uso de emulações específicos.

Comunidades inteiras se formaram nas últimas décadas para traduzir e disponibilizar games que até hoje nunca foram localizados oficialmente. Games que foram parte importante da história de empresas e de consoles. A Square por exemplo só trouxe uma minoria de seus games de Snes para o ocidente, e quando localizou esses games ainda fez uma tradução ruim em alguns ou removeu funcionalidades, censurou ou mexeu no balanceamento. Vários games como o Final Fantasy IV (FF2) foram retraduzidos por fãs a fim de manter o texto original e o balanceammento original do game.

4 – Acesso a Protótipos ou Games Restritos

Mesmo se você tiver dinheiro, muitos games eram impossíveis de comprar devido a algum tipo de restrição, como ser proibido em determinada região, ou por ter sido cancelado, etc. Muitas pessoas puderam jogar Castlevania Rondo of Blood via emulação ou pirataria. Final Fantasy V por muito tempo foi um jogo desconhecido no ocidente mas que se tornou conhecido por ter sido um dos primeiros romhacks de tradução feitos. A Square só foi lançar o game no ocidente muitos anos depois em coletâneas.

Talvez o mais emblemático seja o Star Fox 2 que teve a rom da versão beta vazada há alguns anos e graças a um time de hackers essa rom foi finalizada e traduzida. Não duvido que a Nintendo lançou esse game no Snes Mini por causa dessa rom vazada, e não me surpreenderia se descobrir que a Nintendo incluiu a versão hackeada no Snes Mini de forma oficial, ao invés de um build dela própria.

5 – Portabilidade

Graças ao código aberto da maioria dos emuladores e do conhecimento técnico que se expande cada vez mais, temos mais emuladores portados para diferentes aparelhos e sistemas operacionais. Hoje qualquer celular ou android box pode executar games de consoles de até 64bits para jogar em qualquer lugar de forma prática. Um grande mercado de máquinas de emulação portáteis se abriu e isso certamente inspirou as empresas a lançarem as versões mini de seus consoles.

6 – Acesso a Funcionalidades Inexistentes em Certas Revisões do Console

Os consoles sofrem várias revisões ao longo de suas vidas, geralmente para reduzir o preço. Algumas vezes são apenas revisões estéticas para simplificar a montagem, mas pode também sofrer revisão e perder alguma funcionalidade ou mesmo um tipo de saída de áudio e vídeo, ou não ter uma entrada de expansão ou algum chip extra de áudio.

Quando um purista alega que a emulação não consegue ser 100% fiel, é bom lembrar que nem o console pode ser 100% fiel ao projeto original dele. Uma revisão do Mega Drive para redução de custo reduz sensivelmente a qualidade do áudio. A versão ocidental do Master System não tem o chip de som FM que alguns jogos faziam uso. O Snes Baby não tem saída S-Video e RGB, e por aí vai.

Na emulação é possível desfrutar da melhor revisão possível de cada console e ativar ou desativar funcionalidades quando possível.

7 – Save States e Backups

Uma das melhores funcionalidades de um emulador de games antigos é poder salvar em qualquer lugar. Muitos podem encarar como uma trapaça, mas devemos considerar que vários jogadores abusavam do Game Genie quando crianças ou do Game Shark posteriormente.

A possibilidade de salvar um game a qualquer momento é crucial para aproveitar um game mais antigo. Sem falar que torna desnecessário ficar anotando passwords. Eu mesmo uso save state apenas no início das fases ou nas telas de passwords para não abusar do recurso, mas em muitos games difíceis eu faço um save no chefe para poupar tempo. Hoje não temos tanto tempo livre e há um acesso muito maior de games, o que não faz mais sentido gastar meses num único game até decorá-lo do início ao fim.

Outra coisa legal é poder salvar, fazer backup e compartilhar os saves de cartuchos ou memory cards dos games no emulador. Eu tenho até hoje meu arquivo de save do Chrono Trigger do Snes com 2 finais terminados nele. Isso seria impossível de manter num cartucho por tanto tempo ou mesmo transferir para outro cartucho.

Review – A Lenda do Herói

Após anos com o game parado no meu backlog do steam, finalmente joguei A Lenda do Herói. Este game é especial não só por ter sido feito por brasileiros, mas também por ter nascido de um projeto musical dos Irmãos Castro no youtube.

Eles são fãs da franquia Monster Boy e isso claramente se mostra ao jogar o game, com vários elementos vindos da série do Master System.

A Lenda do Herói é um game de ação e plataforma old school bem clássico com gráficos em 2D, mas tem como principal chamariz as músicas cantadas que narram em tempo real cada momento do game. Quem jogou o Bastion vai achar o conceito similar, apesar de no Bastion a aventura ser apenas narrada e não cantada. Eu até imaginei que não teria muitas partes cantadas porque acredito ser difícil tanto compor as canções quanto sincronizar com as fases, mas para minha surpresa a música quase nunca se repete e em apenas poucos momentos ela não narra o game.

O game começa com uma dificuldade muito baixa e é quase impossível morrer, mas conforme avança o game fica mais desafiador, mas sem nunca ficar frustrante. Isso me agradou pois eu pude jogar de forma prazerosa sem ficar morrendo inúmeras vezes. Pra quem gosta de desafio, o game conta com muitos power ups opcionais e collectibles a serem encontrados nas fases.

Nas fases mais adiante o jogador encontra power ups obrigatórios que enriquecem o gameplay, como pulo duplo, hookshot, dash, entre outros. Com esses power ups é possível depois voltar nas fases anteriores para encontrar o restante dos itens.

Uma coisa que eu particularmente não gostei é que em vários momentos é preciso esperar a música terminar o trecho cantado para que se possa prosseguir e isso constantemente interrompe a ação. Já a história que parecia ser clichê acaba tendo uns plot twists bem interessantes e fica muito notório que essa parte teve uma atenção grande conforme vai avançando. Depois nos créditos percebi que o Fabio Yabu se envolveu na história do projeto e isso explicou muita coisa.

No geral o game é muito divertido e depois de ter tentado jogar vários indies que acabei desistindo no início por serem chatos, esse se destacou e me prendeu até o final. Recomendo.

Pra quem quiser saber de onde surgiu a ideia do game, esse vídeo abaixo é o projeto dos Irmãos Castro onde tudo começou:

Games de Corrida Obscuros – Snes – Parte 4 (Final)

Vamos pra parte final dessa lista.

Power Drive

Esse game saiu somente na Europa e como todo jogo europeu de corrida, é um rally. Mas esse é muito legal de jogar, com uma visão isométrica e controles bem interessantes, com inércia e um pouco de delay, que puxa pro estilo de simulação. As corridas alternam entre correr sozinho contra o tempo e correr contra um adversário. Conforme avança as corridas, o jogador ganha dinheiro para consertar o carro e eventualmente comprar carros novos. Se não conseguir comprar o carro novo na hora certa, fica muito difícil vencer as corridas e você acaba sem conseguir avançar, pois o game não permite repetir corridas pra ganhar mais dinheiro. Tirando isso é um ótimo game, com gráficos simples mas funcionais e boa música bem no estilo europeu.

SD F-1 Grand Prix

Jogo de F1 mas usando a engine do Mario Kart, com pilotos antropomórficos (ou apenas furry mesmo) que lembra suas contrapartes no mundo real. O cachorrinho loiro seria o Hakkinen e o lobo seria o Schumacher. O camundongo o Damon Hill, etc. Há 2 modos de jogo: Crash Race que são as corridas com powerups no estilo Mario Kart e World GP que lembra mais um campeonato de F1, com qualificação e sem powerups. Nas corridas ao invés de tocar a música, temos um narrador e comentarista falando o tempo todo.

Street Racer

Stunt Race FX

Esse game usa o mesmo chip Super FX do Star Fox para fazer os carros e pistas com polígonos. A performance não é muito boa mesmo com a tela reduzida com um hud enorme ocupando espaço. Ainda assim, é um game muito simpático e muito bem feito, com personalidade. Existem 3 copas com 4 pistas cada, e 3 veículos + uma moto secreta. Os controles são meio pesados e parece haver um lag constante, mas logo se acostuma. Os carros podem sofrer danos e é preciso coletar itens de reparos na corrida. Também tem um boost que pode ser enchido novamente com itens. As pistas são bem variadas como florestas, corrida noturna na cidade, montanhas, pista num parque aquático, etc. Também há varios modos de jogos diferentes.

Super Drift Out – World Rally Championships

Game de Rally que só saiu no Japão, com uma visão aérea e pistas que rotacionam. Há 2 opções de campeonatos: WRC mais difícil e com carros mais rápidos e Novice com pistas mais simples e carros mais lentos. É tecnicamente bem chamativo e com músicas de alta qualidade. Os gráficos tem alguns detalhes interessantes, como a sombra do carro que se projeta na direção diferente conforme faz as curvas e pistas em condições climáticas diferentes.

Games de Corrida Obscuros – Snes – Parte 3

Kyle Petty’s No Fear Racing

Jogo de Nascar com uma boa sensação de velocidade e gráficos no estilo digitalizado. A trilha sonora é legal também. Há uma opção de criar a própria pista customizada, mas no fim todas as pistas são parecidas, sem muita variação. No campeonato o jogador pode fazer upgrades.

Lamborghini American Challenge

Acho que esse nem é tão obscuro. Tinha em todas as locadoras, mas ouço falarem muito pouco dele nos dias de hoje. A ideia do game é bem diferente, com uma campanha que se passa em várias cidades dos EUA e o jogador deve aos poucos vencer corridas e ganhar dinheiro para abrir as próximas pistas. Como as corridas são rachas ilegais, há perseguição da polícia algumas vezes e o jogador pode ser multado. Antes de cada corrida é possível apostar dinheiro para tentar aumentar o prêmio. Também há vários upgrades para fazer, incluindo um radar para detectar polícia. Tudo nele é muito bem feito, desde as músicas, som, gráficos e a campanha diferenciada.

Michael Andretti’s IndyCar Challenge

Um game de Formula Indy bem legal com pistas variadas e mais puxado pra simulação, com pistas em 3D no estilo Mario Kart e um controle bem realista.

Micro Machines

Versão 16-bit do game lançado para o Nes. Ainda assim é muito divertido com carrinhos de brinquedo correndo por pistas improvisadas pela casa numa visão aérea. A cada corrida o jogador libera um novo veículo com pequenas diferenças de controle. É possível jogar com até 4 jogadores.

Micro Machines 2 – Turbo Tournament

Continuação que saiu apenas na Europa. Com veículos e pistas diferentes, melhor qualidade gráfica mas com a mesma ideia do primeiro. Divertido demais.

Games de Corrida Obscuros – Snes – Parte 2

Vamos para a parte 2 com mais games obscuros e interessantes.

F1 World Championship Edition

Mais um jogo bom de F1 baseado na temporada de 1994 com equipes e pilotos licenciados (apesar de poder escolher somente o primeiro piloto de cada equipe). Esse saiu apenas na Europa. O estilo do jogo é similar ao Top Gear com o carro deslocando somente para a direita e esquerda, mas é muito técnico, necessitando desacelerar e frear nas curvas. É fácil de pegar e jogar e conta com gráficos bonitos.

F1-ROC II – Race of Champions

Continuação que mantém a qualidade e diversão do primeiro. Porém, nesta versão você não controla carros de F1, mesmo com a caixa e menus mostrando os modelos de F1. O carro é no estilo dos carros de Le Mans e só tem um modelo. Há várias pistas bem diferentes entre si. Eu vejo esse jogo como um F-Zero com rodas. Talvez F-Zero seria assim caso a Nintendo não tivesse desistido da ideia original. Essa série é conhecida em japonês como Exhaust Heat. Muitos devem ter jogado em japonês devido aos piratas.

GP-1

Game de moto bem competente com um controle mais puxado pra simulação, com peso nas curvas e bastante cuidado para seguir o traçado. A animação do piloto é muito detalhada mostrando ele se inclinando conforme faz as curvas. Há 6 opções de motos para escolher, mas só muda as cores. O barulho do motor e efeitos sonoros são muitos bons, mas em troca nenhuma música toca nas corridas.

GP-1 – Part II

Continução com várias mudanças interessantes. Pra começar o controle é um pouco mais simples, com menos animações da moto também. Os sons foram simplificados. Porém, agora tem mais sensação de velocidade, toca música nas corridas e tem opção de comprar mais motos conforme avança no game.

Kat’s Run – Zen-Nihon K-Car Senshuken

Este jogo japonês permite que se escolha um motorista (a maioria mulheres) e alguns carrinhos populares licenciados. Na corrida há uma animação do motorista dirigindo o carro e reagindo às curvas. As corridas também são diferentes. São circuitos abertos urbanos e quando chega no final a pista faz uma transição para a próxima pista. Algo que lembra o Outrun, mas com o estilo de pistas 3D do Mario Kart. Este está longe de ser um ótimo game, mas é bem curioso.

Games de Corrida Obscuros – Snes – Parte 1

Corrida é um dos gêneros que mais gosto, e sempre tive a curiosidade de explorar a biblioteca de games dos consoles antigos.

Com esta série eu vou listar os bons games de corrida do Snes que não foram populares. Farei um pequeno review de 5 games por post. No futuro eu pretendo fazer de outros consoles, como Nintendo 64, Playstation, Nes, Mega Drive, Turbografx, etc.

Battle Racers

Game no estilo do Mario Kart com os personagens Kamen Rider, Ultraman entre outros da Banpresto. Saiu apenas no Japão mas é fácil de navegar pelos menus. Tem bons gráficos e músicas, mas poucos personagens e pistas.

Biker Mice From Mars

Jogo bem parecido com Rock’n Roll Racing, Biker Mice From Mars é baseado no desenho animado de mesmo nome e ficou conhecido no Brasil como Esquadrão Marte. É um dos melhores jogos do Super Nintendo com padrão de qualidade Konami. Tem músicas excelentes, gráficos cartunescos e power ups diversos. Ainda é possível fazer upgrades no veículo entre as corridas.

Drift King Shutokou Battle ’94

Drift King Shutokou Battle 2

Continuação de Drift King ’94 . Este game usa a mesma engine e gameplay, mas desta vez conta com 10 pistas e uma pequena variação nas cores dos carros. Também tem opção de tunning e alguns modos de jogo a mais.

F1 Roc – Race Of Champions

Um dos jogos de F1 mais legais do Snes. Bem simples e com um ótimo som e gráficos. O estilo das pistas lembra F-Zero, com rotação em 3D. Há a possibilidade de fazer upgrades no carro antes das corridas. Diferente de outros jogos de F1 do Snes, os pilotos e carros não são licenciados e usam nomes fictícios. Até prefiro assim porque o game não fica datado.

Games e o Liberalismo

No mercado brasileiro os games existem por muitos anos. Tivemos praticamente todos os consoles de primeira e segunda geração. No entanto, os impostos sobre os games sempre foram muito altos, e o motivo disso é que a tributação aplicada nos games é a de jogos de azar.

Curiosamente, o mesmo jogo para PC é taxado como software, e possui uma tributação muito menor, além de algumas facilidades de licenciamento devido ao PC ser uma plataforma aberta.

Por causa disso, os video games por muito tempo foram um entretenimento de elite, pois os jogos eram caros. No PC eles são mais baratos mas montar um PC é mais caro. Enquanto um console na década de 90 custava em torno de 500 reais, um bom PC custava mais de 2000 reais.

Por falta de interesse e de visão de nossos políticos, a tributação nos games nunca foi revista, e por causa disso o Brasil se tornou um dos países com maior mercado de pirataria de games no mundo.

Isso por um lado estimula o consumo de aparelhos e periféricos originais, mas por outro acaba tirando o interesse das publishers em trazer os seus jogos pra cá.

A partir dos anos 2000 a expansão do acesso a Internet e mais concorrência, além do crescimento do mercado cinza, fizeram com que os preços do PC diminuíssem a ponto de quase todo lar ter um computador. Isso estimulou o aumento do consumo de jogos para computadores que sempre foram mais baratos, e até criou um fenômeno interessante: a distribuição de jogos completos em revistas de games.

Mas por que os jogos vinham em revistas? Porque isso permitia que os jogos pudessem circular em bancas de revistas e assim se aproveitar da logística já existente para alcançar consumidores em praticamente todo país. Os jogos distribuídos por revistas não eram lançamentos. Geralmente tinham 2 anos ou mais, mas o preço era muito acessível, variando entre 10 a 20 reais. O mesmo preço de um jogo pirata de Playstation.

Hoje essas revistas desapareceram por causa da venda de jogos digitalmente em lojas virtuais pela internet, com preços igualmente competitivos.

A lição que tiramos de tudo isso são várias na verdade.

A primeira é que um governo nunca será apto o suficiente para lidar com novas tendências, prejudicando a adoção de novas tecnologias sempre que puder.

A segunda coisa é que governos em geral gostam de fazer engenharia social, ou seja, de tentar moldar os hábitos de uma população através do aumento ou redução de impostos sobre certos produtos, ou criação de regras para consumo. Isso já é bem conhecido com drogas, separadas arbitrariamente entre lícitas e ilícitas.

A terceira é que mesmo com o governo tentando atrapalhar, a sociedade vai dar um jeito. No caso dos games, será pela pirataria, ou pela distribuição por revistas, ou por contrabando.

O problema é que por mais que consigamos burlar o sistema para termos acesso aos games, sempre seremos atrapalhados em algum grau. É praticamente impossível não odiar a burocracia ou mesmo a política como um todo quando vemos que uma simples canetada pode ditar um mercado inteiro de um país. Como dizem por aí: o preço da liberdade é a eterna vigilância.

Aqui é onde entra o papel do cidadão em fazer boas escolhas não somente ao escolher um console, mas ao votar também. Precisamos urgentemente escolher políticos que tenham um mínimo de visão liberal para que o Brasil não pare no tempo. As únicas áreas competitivas no Brasil, com um constante crescimento, são justamente aquelas ignoradas pelo governo e sua burocracia, como por exemplo tecnologia da informação e agricultura.

O mercado de games tem tudo pra crescer ainda mais e gerar ainda mais empregos, e no momento estamos perdendo essa corrida por causa de leis estúpidas e impostos anacrônicos e desproporcionais.

Uma ode aos metroidvanias

Se tem um gênero que nasceu moderno e que teve poucas reformulações é o metroidvania. Esse nome não oficial foi dado pra descrever os games que imitam o estilo da série Metroid (especialmente Super Metroid) e Castlevania (começando por Symphony of the Night).

samus
Ready to explore

Eu particularmente gosto muito do estilo e passei a jogar ainda mais nos dias atuais porque os games são muito bons sem precisar ser muito modernos. É um gênero que funciona muito bem em 2 dimensões e com gráficos simples.

Ironicamente, esse gênero não se popularizou entre os desenvolvedores grandes e games AAA, talvez por preferirem fazer games com um apelo mais cinemático e num mundo em 3D. Em compensação os desenvolvedores indies passaram a fazer cada vez mais games no estilo metroidvania, suprindo a carência do jogador mais velho por títulos deste gênero.

Como o gênero funciona, afinal? Basicamente um jogo metroidvania consiste em um único mapa bidimencional onde o jogador controla um personagem que tem ataques básicos e pulos. Para avançar mais pelo mapa, é necessário descobrir mais armas e habilidades escondidas ou guardadas por inimigos. Quanto mais o jogador avança, mais o personagem ganha habilidades e mais o mapa se abre a novas possibilidades de exploração, tornando o sistema viciante sem perder o ritmo.

Uma das coisas que mais me chama a atenção é que um jogo metroidvania tem uma fórmula oposta a de um jogo arcade. Ou seja, você não vai morrer ao cair num buraco, mas sim descobrir uma nova área do jogo. Você não vai sempre começar do zero, mas salvar seu progresso aos poucos. Não vai jogar sempre da mesma forma, pois sempre descobrirá novos poderes.

Não é necessário jogar contra o tempo, mas curtir cada momento para avançar observando o mapa e descobrindo segredos. É um gênero que se encaixa perfeitamente na fórmula de um game caseiro, algo que muitas empresas até hoje não sabem fazer direito.

Esse diálogo é hilário

Como mencionei, pouquíssimas empresas de games lançaram metroidvanias nessas últimas décadas. O gênero ficou praticamente restrito ao próprio Metroid e Castlevania, com algumas exceções desses próprios games que não foram muito bem vindas. Não consigo entender porque um gênero tão amado não é abraçado pela indústria. Felizmente os indies, que por muitas vezes são gamers fãs dessas franquias, estão lançando cada vez mais clones de Metroid e Castlevania como foi o caso de Axiom Verge e Timespinners. Outros devs colocaram essa mecânica parcialmente em seus games pra deixá-los mais interessantes, como o brasileiro Odallus.

Odallus tem alguns elementos de Metroidvania

O gênero metroidvania merece mais atenção da indústria e muitos gamers mais jovens precisam conhecer essa mecânica. Super Metroid e Castlevania SotN são considerados os 2 melhores games de todos os tempos, e não é à toa. Esse sucesso todo não passa batido pelos seus criadores. Koji Igarashi, o criador de Castlevania SotN, fez um game indie chamado Bloodstained que é fortemente inspirado em sua obra prima, e teve uma ótima recepção.

Algo está muito errado no mundo pra devs serem impedidos de fazer games bons dentro de empresas de games, forçando pessoas talentosas a pedirem demissão pra continuarem a trabalhar como gostam.

Hoje eu diria que metroidvania é o supra-sumo dos games de aventura. Metroidvania é tipo bacon. E tudo fica melhor com bacon.

Problemas de design em games antigos

Muitos games antigos tinham muito potencial para serem realmente bons, mas por causa de problemas simples de design de fases e gameplay esses games acabaram sendo medíocres ou pelo menos “quase bons”. Muitos desses problemas ocorrem muito pouco nos games atuais, mas antigamente pareciam ser a regra. Por ser uma indústria muito recente, os produtores não tinham a experiência que temos hoje. Também não havia tanta possibilidade de fazer games longos com muito conteúdo, forçando os desenvolvedores a aumentarem a dificuldade para tornar o game uma experiência mais longeva.

Vou listar alguns dos problemas desses games antigos que vejo como ruins e que poderiam ser facilmente corrigidos. Também vou citar um exemplo de jogo com o problema e de um jogo que implementou corretamente:

1 – Tomar dano inevitável

Mate ou morra

Esse problema pra mim é um dos piores. O jogador deve aprender a desviar de inimigos ou destruir os alvos, mas nunca deveria ser impossível de evitar um dano. Muitos games antigos tinham obstáculos colocados de forma a perder um pouco da vida ao atravessar, ou inimigos que são impossíveis de evitar por causa do padrão de movimentos ruim. Muitos games tem chefes impossíveis de vencer sem tomar dano, e a chave pra vencer geralmente é chegar com muita energia e bater rápido o suficiente pra vencê-lo antes do jogador morrer.

Mau exemplo: ActRaiser
Bom exemplo: Mega Man

2 – Vidas e continues

Trauma

Os games de console ficaram por muito tempo repetindo o mesmo padrão dos arcades de dar vidas e continues ao jogador. Só que geralmente isso é desnecessário. Por que ao invés de 5 vidas e 3 continues, o jogo não dá logo 15 vidas? É mais simples. Se for trabalhar com continues, o correto é ter continues infinitos que volta pro início da fase e as vidas serem usadas pra retornar nos checkpoints, afinal não vamos colocar fichas no console. Além disso tem games de 2 jogadores que quando um jogador perde um continue, os dois precisam voltar pro início da fase, mas o que sobreviveu volta com a mesma vida e logo vai morrer também.

Mau exemplo: Battletoads
Bom exemplo: Contra

3 – Suicídio necessário

Guarde bem a munição

Tem games que limitam seu progresso de alguma forma fazendo com que apenas morrendo o jogador possa voltar novamente. Geralmente o jogador fica preso em algum lugar do mapa ou perdeu o item necessário pra avançar, e somente morrendo o item volta. Em Mega Man por exemplo você enfrenta o chefe e usa a arma certa, mas se você morrer, ao voltar aquela arma não vem cheia, e você não conseguirá vencer o chefe na segunda tentativa. Por falta de um simples tanque de energia antes do chefe, é mais fácil se matar até perder um continue e voltar com as armas cheias. O ideal é o game dar powerups após os checkpoints para que o jogador tenha chance de restaurar armas e munições antes do chefe.

Mau exemplo: Mega Man e Ghouls ‘n Goblins
Bom exemplo: Gradius

4 – Memorização excessiva

Passe de ano na decoreba

Games em geral são de certa forma um teste de memorização. Você precisa aprender a jogar e memorizar os ataques do inimigos ou padrão das armadilhas. Isso é ok. Mas é muito errado ter que aprender cada milímetro da fase morrendo todas as vezes. Tem games com buracos ou armadilhas ocultas e a única maneira de descobrir é morrendo na primeira vez. Isso é injusto e só aumenta a dificuldade do game de forma artificial. Os games mais divertidos são aqueles que tem um espaço para improvisação e habilidade.

Mau exemplo: Dragon’s Lair
Bom exemplo: R-Type

5 – Excesso de elementos de plataforma

Kyle Reese Bros

Outra coisa que na época era super-utilizado é o elemento de plataforma. Os games usavam muito o pulo e obstáculos para aumentar a variedade do cenário e criar um pouco mais de desafio. Mas às vezes era demais, com blocos mal posicionados e pulos muito mal programados. O jogador passa mais tempo acertando o pulo e morrendo do que aproveitando o jogo propriamente. Sem falar que em muitos games ao levar dano o personagem é jogado pra trás, geralmente caindo num buraco num combo de azar. Há maneiras mais criativas de criar diversidade num cenário do que encher de buracos.

Mau exemplo: Terminator 1 (Nes)
Bom exemplo: Super Mario Bros

6 – Segredos crípticos

Decifre-me ou te devoro

Esses são os games que o jogador só consegue avançar seguindo um guia. São segredos completamente escondidos e aleatórios que são praticamente impossíveis de descobri-los sozinho, muito menos por acidente. Há muitos games bons que acabam perdendo qualidade por causa disso. Existem maneiras simples de ocultar uma passagem ou item mas mantendo a possibilidade do jogador descobrir, como usar uma cor levemente diferente na parede ou no chão falso por exemplo.

Mau exemplo: Milon’s Secret Castle
Bom exemplo: Legend of Zelda

7 – Enquadramento ruim da imagem e câmera

Corra, mas vá devagar

Jogos rápidos exigem uma boa dose de reflexos por parte do jogador, e quanto antes puder antecipar uma ação, melhor. Mas alguns games sofrem de problemas de câmera que impedem de ter uma boa visibilidade da fase. Às vezes o personagem se move muito pra frente para que a câmera passe a se mover também, deixando pouco espaço livre para poder ver o que vem na frente. Há também o problema de impedir de ter uma boa visão abaixo, sendo muitas vezes impossível discernir uma plataforma de um buraco sem fundo.

Mau exemplo: Sonic 1
Bom exemplo: Super Mario World